sábado, 12 de abril de 2008

Pra não dizer que não falei da luta - parte dois.


Não posso e nem vou negar a espontaneidade da invasão à Reitoria da UnB. Ouço dizer que foi assim, decidido em assembléia e o pessoal foi lá e fez. Que seja. A segunda invasão também, pelo que ouvi, foi ainda mais espontânea. Por mim, tudo bem. Não aderi ao movimento desde o início, por não estar, confesso, inteirada dos acontecimentos acerca do Reitor e das fundações, e muito menos a respeito das questões políticas que assinalaram o movimento.

As coisas mudaram de figura na segunda, dia 7. Fui à Reitoria para não dizer que não tinha ido, e vi o quanto o movimento estava organizado. O clima calmo, gostoso dentro da reitoria. Tudo bem limpo e organizado. Ninguém tenso com a perspectiva da chegada da polícia. Gostei e resolvi me informar.

Já na quarta, 9, fui à assembléia para votar as questões em pauta. Não fui só para apoiar o movimento, mas também para votar contra determinadas coisas que eu era contra. Não topei fazer greve. Não gostei de ter visto um garoto com adesivo de partido na camiseta, espero que tenham pedido para ele tirar. Mas saí satisfeita de lá. Não fiz a menor diferença ali, mas fez toda diferença para mim.

Na quinta, 10, por insistência de uma amiga, a Thaís, fui denovo ao CAREI (hêhê), com ela e outro amigo, o Braitner. Saímos de lá com cartazes que espalhamos pelo ICC Norte. É uma sensação engraçada, colar cartazes. O pessoal te olhando, você pensando no que está colando naquela parede. E em quanto tempo aquele cartaz sem autorização de ser colado vai ficar ali.

Bom, na sexta, 11, eles ainda estavam lá. E rolou uma passeata pela universidade todinha (e isso inclui, pasmem, FA e FT), chamando o pessoal para aderir à paralisação. Foi um barato, uma delícia. Minhas colegas ficaram roucas. Eu fiquei com as palmas das mãos insensíveis, de tanto bater palma. Mas foi muito bacana mesmo, estar em uma coisa assim, e ter noção do que se está gritando (isso é MUITO importante).

Se eu quero matar o Borat Tropical? Pode crer. Um palhaço desses acaba com a imagem do movimento. E ainda sai na capa de todos os jornais.

Aí o vice renuncia, o reitor renuncia. Me corrijam se eu estiver errada, mas deve ter sido a única vez na história mundial que os estudantes pressionam um reitor para sair e ele sai. É uma sensação engraçada, um orgulhinho. Uma satisfação, esperança de mudança.

Ontem teve a coletiva de imprensa do novo reitor. Me pareceu um cara disposto a dialogar. Vamos ver no que dá.

Qualquer coisa, os alunos ocupam a Reitoria denovo, oras.

Não?

Um comentário:

melzinha disse...

Gostei, Clarinha. :)